quarta-feira, 8 de abril de 2015

Autopsicografia ginasial


                  Autopsicografia ginasial
                                                                                                     
                                                                                        Gutyerrez Oliveira


Hoje, Remexendo os meus guardados,
Dentro de um livro do Fernando, lembrei  nosso tempo colegial  (...)
Encontrei outra vez, o poema e a carta que eu não te mandei
Envelheceram todas aquelas declarações  e sentimentos ...
Só envelheceram!
Mas continuam os mesmos...
Dissestes na minha cara que eram fingimentos, aos meus escritos no papel!

Éramos tão jovens!
Meus olhos, não tiveram coragem  de declarar aos olhos teus
O amor que deveras senti...  
Não tive coragem!
 
Com o tempo,  ficaram ultrapassadas  as noticias do meu coração
Envelheci também!
Hoje, somente a brisa suave faz recordar tão completamente...
As caricias do teu rosto menina de trança  roçando o meu!    
Tornei-me um “apascentador de lembranças” do tempo menino Pessoa que havia em mim...
Passando-me por poeta escrevendo  pensamentos  adolescentes  de nós dois!
Noticias imaginarias do nosso amor...

Hoje, a falta que você me faz
Já não é tanta  
Mas ainda fazes...

A noite arquiva  saudades acumulando lembranças como rebanhos... 
E...
Os meus versos se acomodam no saco de dormir...
Estou vivo!  Posso sonhar!
E reler ainda
A carta que eu não ti mandei!
Você, ginasial, trocou de escola e se perdeu de mim!

Fernando Pessoa diz

Que o poeta é um fingidor (...)
Eu não sou, verdadeiramente te amei!

Nenhum comentário:

Postar um comentário