Autopsicografia ginasial
Gutyerrez Oliveira
Hoje,
Remexendo os meus guardados,
Dentro
de um livro do Fernando, lembrei nosso tempo
colegial (...)
Encontrei
outra vez, o poema e a carta que eu não te mandei
Envelheceram
todas aquelas declarações e sentimentos ...
Só
envelheceram!
Mas
continuam os mesmos...
Dissestes
na minha cara que eram fingimentos, aos meus escritos no papel!
Éramos
tão jovens!
Meus
olhos, não tiveram coragem de declarar
aos olhos teus
O
amor que deveras senti...
Não
tive coragem!
Com
o tempo, ficaram ultrapassadas as noticias do meu coração
Envelheci
também!
Hoje,
somente a brisa suave faz recordar tão completamente...
As
caricias do teu rosto menina de trança roçando o meu!
Tornei-me
um “apascentador de lembranças” do tempo menino Pessoa que havia em mim...
Passando-me
por poeta escrevendo pensamentos adolescentes de nós dois!
Noticias
imaginarias do nosso amor...
Hoje,
a falta que você me faz
Já
não é tanta
Mas
ainda fazes...
A
noite arquiva saudades acumulando
lembranças como rebanhos...
E...
Os
meus versos se acomodam no saco de dormir...
Estou
vivo! Posso sonhar!
E
reler ainda
A
carta que eu não ti mandei!
Você,
ginasial, trocou de escola e se perdeu de mim!
Fernando Pessoa diz
Que o poeta é um fingidor (...)
Eu não sou, verdadeiramente te amei!
Eu não sou, verdadeiramente te amei!
Nenhum comentário:
Postar um comentário