sexta-feira, 10 de abril de 2015

Um poeta ocupado




 Um poeta ocupado

Gutyerrez oliveira


Hoje minha perna tem câimbras
Amanhã de manhã tenho pressa.
De tarde o ônibus passa...
Afastando com o vento as folhas secas da estrada sinuosa
No retrovisor do tempo vejo a idade nova ficando para trás... 
De madrugada o sono me transporta. Pela manhã não posso escrever...
Não tenho mais tempo para lapidar palavras.
Vejo um dia contando historias aos outros dias bem na minha frente
Misturam- se aos conhecimentos da noite e da madrugada que passou.
Não consigo mais escrever poesias, edificar palavras.  
Acumulo inspirações como fardos e entardecer como névoas.               
Boca e pensamentos costurados com fios 
Mãos e dedos colados, coitados!
Não faço mais o tempo. Meu tempo foge de mim.
Preciso reagir...
Então arranco os fios que emaranham, arranquei!
E sentado naquela cadeira em frente à tela do monitor 
Até tarde da madrugada escreverei
Pois o tempo é o vento que sopra em minha tez
Envelhecem os meus cabelos, e meus pensamentos
O meu rosto é passageiro em uma janela na locomotiva da saudade.
E a areia da ampulheta se finda!
Preciso reagir antes que a tesoura de ouro corte os fios de prata da vida
E quebre o cântaro de barro junto ao poço de águas cristalinas.
Não morte!  Não me alcançarás tão cedo
Pois muitos livros, contos, poesias e crônicas  
Publicarei ainda em meu grito de liberdaaade!!!...






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