Um poeta
ocupado
Gutyerrez
oliveira
Hoje minha perna tem câimbras
Amanhã de manhã tenho pressa.
De tarde o ônibus passa...
Afastando com o vento as folhas
secas da estrada sinuosa
No retrovisor do tempo vejo a
idade nova ficando para trás...
De madrugada o sono me
transporta. Pela manhã não posso escrever...
Não tenho mais tempo para lapidar
palavras.
Vejo um dia contando historias
aos outros dias bem na minha frente
Misturam- se aos conhecimentos da
noite e da madrugada que passou.
Não consigo mais escrever
poesias, edificar palavras.
Acumulo inspirações como fardos e
entardecer como névoas.
Boca e pensamentos costurados com
fios
Mãos e dedos colados, coitados!
Não faço mais o tempo. Meu tempo
foge de mim.
Preciso reagir...
Então arranco os fios que
emaranham, arranquei!
E sentado naquela cadeira em
frente à tela do monitor
Até tarde da madrugada escreverei
Pois o tempo é o vento que sopra
em minha tez
Envelhecem os meus cabelos, e
meus pensamentos
O meu rosto é passageiro em uma
janela na locomotiva da saudade.
E a areia da ampulheta se finda!
Preciso reagir antes que a
tesoura de ouro corte os fios de prata da vida
E quebre o cântaro de barro junto
ao poço de águas cristalinas.
Não morte! Não me alcançarás tão cedo
Pois muitos livros, contos,
poesias e crônicas
Publicarei ainda em meu grito de
liberdaaade!!!...
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