sábado, 9 de maio de 2015

Ícaro de aço





                                                                  Ícaro de Aço  

                        
                                                                                  Gutyerrez Filho


Quando cheguei do interior da minha vida, para a entrevista de admissão na capital  dos meus sonhos de  industrial. Ninguém perguntou se eu era poeta ou escritor, se eu já tinha sido  personagem célebre ou ator de tragédias do dia a dia urbano. Se eu conseguir ler Fernandos ou conheci Pessoas como Álvaro de campos, Alberto Caeiro ou Ricardo Reis. Ninguém perguntou se eu já tinha perdido alguém para a morte, ou  fui “guardador de rebanhos”.

Não perguntaram pelos meus sonhos arquivados somente no meu ego. Se eu tinha asas, fantasias, e se trazia uma alma afoita de um D’Artagnan intrépido arremessado pela vontade de vencer, de lutar e derrotar   como espadachim, todos meus medos já vencidos que se erguiam outra vez !  Ninguém perguntou se eu tive amores perdidos, e achados desilusões ou alegrias...
  
Eu calei, observei, e no meu silêncio, guardei dentro de mim o grito  ensaiado naquele instante para dar como resposta, ao que eu achava  seria perguntado.
Mediram-me dos pés a cabeça com o olhar. Pediram os números do meu sapato, camisa, titulo de eleitor, CPF e  meu  RG. Ora ! Números nunca vão dizer nada de mim. Nunca vão identificar  o meu verdadeiro eu.

Então, a seguir fui conectado a uma linha de montagem como um “equipamento especial” que fixava montava e fabricava, tentaram me ensinar a ser submisso, cumprir ordens cegas de cegos.   Queriam me transformar robô,  para ser  como um soldado  Sancho Pancho de um Dom Quixote  Cervantes para seus  barões Munchhausenianos
.    
Mas, dentro de mim eclodia um grito de liberdade. E por cima desse imenso galpão  teto de ferro com lâmpadas e luzes  artificiais,  eu imaginei voar,  imaginei voando,  vi  que existe um sol e  quero senti-lo.  Existe luz de verdade e eu quero vê-la . Existe um céu azul, eu quero cruzá-lo como um raio. Porque eu posso. Porque agora tenho asas. Eu e Dédalo construímos asas para esse momento  de fuga  desses  labirintos .

Eles não podem saber, nem ver, as asas secretas que me levarão  para longe desse lugar fabricante de robóticos Trummáticos  .Vou para longe, bem longe onde quero estar . De volta ao meu jardim. Retornando  pra casa , não quero ser  corpo estranho num espaço   que não é meu . 

Nas minhas viagens  conheci  outras galáxias! Preciso voar desse lugar fixado  por pneumáticas e labirintado por   parafusadeiras onde “Homens robóticos  esperam da ciência ... eu desespero!” 

Minhas asas não são de ceras  para que derretam com o calor do sol. Dédalo às construiu na alma com sentimento de liberdade coragem e valentia, sem medo me treinou pra voar!

E quando voo. Ele voa comigo vencendo os espaços. Fui  transformado  em Ícaro de aço . Dédalo e eu agora somos Um. Ninguém vai nos alcançar subir... subir ...
Voar...Voar...    

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