Ícaro de Aço
Gutyerrez Filho
Quando cheguei do interior da minha vida, para a entrevista de admissão na capital dos meus sonhos de industrial. Ninguém perguntou se eu era poeta ou escritor, se eu já tinha sido personagem célebre ou ator de tragédias do dia a dia urbano. Se eu conseguir ler Fernandos ou conheci Pessoas como Álvaro de campos, Alberto Caeiro ou Ricardo Reis. Ninguém perguntou se eu já tinha perdido alguém para a morte, ou fui “guardador de rebanhos”.
Não perguntaram pelos meus sonhos arquivados somente no meu ego. Se eu tinha asas, fantasias, e se trazia uma alma afoita de um D’Artagnan intrépido arremessado pela vontade de vencer, de lutar e derrotar como espadachim, todos meus medos já vencidos que se erguiam outra vez ! Ninguém perguntou se eu tive amores perdidos, e achados desilusões ou alegrias...
Eu calei, observei, e no meu silêncio, guardei dentro de mim o grito ensaiado naquele instante para dar como resposta, ao que eu achava seria perguntado.
Mediram-me dos pés a cabeça com o olhar. Pediram os números do meu sapato, camisa, titulo de eleitor, CPF e meu RG. Ora ! Números nunca vão dizer nada de mim. Nunca vão identificar o meu verdadeiro eu.
Então, a seguir fui conectado a uma linha de montagem como um “equipamento especial” que fixava montava e fabricava, tentaram me ensinar a ser submisso, cumprir ordens cegas de cegos. Queriam me transformar robô, para ser como um soldado Sancho Pancho de um Dom Quixote Cervantes para seus barões Munchhausenianos
.
Mas, dentro de mim eclodia um grito de liberdade. E por cima desse imenso galpão teto de ferro com lâmpadas e luzes artificiais, eu imaginei voar, imaginei voando, vi que existe um sol e quero senti-lo. Existe luz de verdade e eu quero vê-la . Existe um céu azul, eu quero cruzá-lo como um raio. Porque eu posso. Porque agora tenho asas. Eu e Dédalo construímos asas para esse momento de fuga desses labirintos .
Eles não podem saber, nem ver, as asas secretas que me levarão para longe desse lugar fabricante de robóticos Trummáticos .Vou para longe, bem longe onde quero estar . De volta ao meu jardim. Retornando pra casa , não quero ser corpo estranho num espaço que não é meu .
Nas minhas viagens conheci outras galáxias! Preciso voar desse lugar fixado por pneumáticas e labirintado por parafusadeiras onde “Homens robóticos esperam da ciência ... eu desespero!”
Minhas asas não são de ceras para que derretam com o calor do sol. Dédalo às construiu na alma com sentimento de liberdade coragem e valentia, sem medo me treinou pra voar!
E quando voo. Ele voa comigo vencendo os espaços. Fui transformado em Ícaro de aço . Dédalo e eu agora somos Um. Ninguém vai nos alcançar subir... subir ...
Voar...Voar...
Minhas asa não são de ceras...
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